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Respeite meu AXÉ: A luta contra a Intolerância Religiosa

  • Luyza Cristina
  • 23 de nov. de 2020
  • 5 min de leitura

Atualizado: 23 de nov. de 2020

O olhar da intolerância religiosa nas religiões de matrizes africanas e a luta pela paz com respeito à liberdade religiosa.


 Manifestantes protestam contra intolerância religiosa no Rio de janeiro - Foto: Reprodução/G1.globo

A intolerância religiosa no Brasil está ligada ao racismo religioso, é uma discriminação contra à tradição de um povo. É direcionado às práticas religiosas e tradições históricas e cultural do povo negro, sendo caracterizado por um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana. O Brasil é visto como um país de paz religiosa, este contexto muda quando religiões de matriz africana são excluídas de políticas públicas e são os mais frequentes alvos de intolerância religiosa, é uma questão enfrentar grandes desafios na sociedade brasileira.





Segundo os especialistas dos direitos humanos, há denúncias de que os terreiros e espaços onde ocorrem os cultos e as cerimônias religiosas constantemente tem sido alvos de atentados. No Amazonas, mais de 50% das denúncias de intolerância religiosa foram registradas pelos seguidores de crenças de matrizes africanas. De acordo com o presidente nacional do culto afro brasileiro, Aristides Mascarenhas, de 2014 para cá, houve o assassinato do pai de Santo Rafael de Silva Medeiros, além de duas tentativas de homicídios por um arma branca contra pais de santo e uma mãe de santo, que quase morreu ao ser atingida por uma pedra que foi arremessada para o terreiro dela.


O artigo 208 do Código Penal trata dos crimes contra sentimentos religioso, como zombar de alguém por motivos de crenças religiosas, perturbar ou impedir culto e desrespeitar ato ou objeto religioso. As penas previstas são multas ou detenção, de um mês a um ano, se há uso de violência no ato, a pena aumenta em um terço. A liberdade de crença é "inviolável", segundo o quinto artigo da Constituição, é assegurado a todos os brasileiros o livre exercício de cultos religiosos e tendo garantia à proteção aos seus locais de culto e às suas litúrgicas.


O babalorixá Adriano de Ogum ressaltou que a intolerância religiosa é a face mais perversa do racismo. "É importante mostrar que a Umbanda e o Candomblé não são coisas demoníacas como se pensa, por sermos de uma tradição africana/ afrodescendente, mas que somos paz e que estamos na religião para buscarmos caminhos e preservar equilíbrio com natureza e com a espiritualidade, como está no hino da umbanda, " a Umbanda é paz e amor/ um mundo cheio de luz/é a força que nos dá vida/ e à grandeza nos conduz ". É uma religião como outra qualquer, que quer ter o seu espaço", afirmou Adriano.

Vídeo extraído do youtube https://youtu.be/XK_lJ3Gry6s

Os ritos de candomblé são realizados em templos chamados casas,roças, terreiros ou ilê, a celebração do ritual é feita pelo pai de santo ou mãe de santo, que inicia em ritmo de dança, cânticos, batidas de tambores. Os participantes devem usar roupas brancas, trajes específicos com às cores e guias do seu orixá e os filhos de santo já iniciado começam à incorporar seus orixás e tem no mínimo duas horas de duração.


Roça na casa de santo - Foto - Luyza Cristina

O babalorixá Kleber de Ogum, falou um pouco sobre a sua religião, dizendo que o candomblé cultua no Brasil com 13 divindades, denominadas orixás são eles : Exu que representa a comunicação; Ogum que traz a abertura de caminhos; Ossain representando às folhas e plantas; Oxóssi o provedor e caçador; Xangô detentor da justiça e da verdade; Iansã dos raios, ventos e tempestades; Obaluaê orixá da terra e da cura; Oxum das águas doces, ouro e amor; Iemanjá rainha das águas salgadas e fertilidade; Oxumaré que representa o arco - íris, a transformação do tempo, ar e da passagem entre a vida e a morte, Nanã personificação da morte; Obá dona do vigor e coragem e Oxalá senhor da paz, da pureza e tranquilidade, que é considerado pai de todos e completou dizendo que é uma religião como qualquer outra e que merece respeito.


Vídeo extraído do youtube https://youtu.be/lWjv9eeQv5w

Thayná Santos, ao falar de sua trajetória disse que ela vinha de uma família umbandista, passou a frequentar uma casa que estava em transformação de umbanda para candomblé, decidiu acompanhar à mudança e com isso ser iniciada na religião " Me sinto muito bem com às tradições da minha religião, cada dia conheço mais sobre candomblé e tenho certeza que vim para ficar, pois não somos nós que escolhermos à religião e ela quem nós escolhe ", Disse Thayná Santos. Respeito é a palavra que ela tem por sua religião e afirma que assim como qualquer outra doutrina, o candomblé tem regras e normas que devem ser seguidas e respeitada.


Conhecer às religiões de matrizes africanas é essencial para acabar com preconceito que ainda paira a sociedade. Ao ser questionada se já sofreu algum tipo de preconceito, Thayná afirmou que sofre quando faz festa de São Cosme e Damião, pois percebe que seus vizinhos proíbem seus filhos de participarem, mas no seu dia a dia não sofre, pois prefere não expor à sua religião, mas tem certeza que se falasse, sofreria algumas intolerâncias de pessoas com outras crenças e ideologia.

Ritos religiosos no ilê do pai de santo Adriano ty Ogum - Foto - Luyza Cristina

Para o pai de santo, José de Omolú, o desrespeito ainda é constante em sua vizinhança. "A maioria dos meus vizinhos não respeitam minha religião e age com hostilidade comigo. Temos consciência que é preciso evitar conflitos com quem não entende e não respeita. Toco meu tambor, faço minhas orações e espero que um dia possamos viver em uma sociedade igualitária, independente das religiões".


Para José, o Brasil ainda está muito atrasado no que se refere ao combate à intolerância religiosa. Segundo ele, nós últimos anos, a sociedade tem assistido a uma onda de violência contra comunidades religiosas de matriz africana, com ataques, violência e depredação e inclusive, até apedrejamento de meninas que vão às escolas.

Depredação do Ilê na Bahia - Foto: Reprodução/G1.Globo

A discriminação contra crianças dessas religiões africanas nas escolas é uma coisa acintosa." Na verdade, até hoje, essas religiões são vistas pela maioria das pessoas de forma preconceituosa e pejorativa", afirmou Cristina Martins, adepta da religião.


No dia 08 dezembro de 2016, na cidade de Manaus, aconteceu a primeiro balaio da Oxum, que tem por finalidade à luta contra intolerância religiosa e celebra a orixá, com realizações de entregas de oferendas a "Mamãe Oxum", considerada como uma orixá que representa os leitos de água doce e ensina cuidar, ter fé e o respeito pelo meio ambiente.

Balaio da Oxum na Ponta Negra - Foto: Reprodução/ Diego Mourão

"Para nós, é muito importante o reconhecimento das outras religiões e o respeito, porque nós viemos de um povo sofrido. O negro veio para cá trazido da África, ele deu seu suor, seu sangue para construir esse país e com ele na bagagem, trouxe essa cultura linda, tanto religiosa, quanto o samba, a capoeira, o maracatu. Se a escravidão nos arrancou a realeza, o orixá nos devolveu e usamos a cultura negra do samba para lutar e sobreviver. afirma Cristina Martins filha de santo.


Filho de santo batendo cabeça ao pai de santo- Foto - Luyza Cristina 

 
 
 

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